terça-feira, 24 de junho de 2008

Parte 13

Não bastava ler só Os Sertões, a minha obsessão foi ler o máximo de livros sobre a Guerra de Canudos, devo ter lido uns dez livros sobre, Rodrigo algumas vezes indagava porque ler outros livros, digamos que eu queria ter uma visão abrangente de como foi essa guerra, como eram as pessoas envolvidas, a época e a região. Mas antes de qualquer coisa eu queria saber como fugir do trash filme “A Guerra de Canudos”. Alguém aqui já viu esse filme? É uma escola de como essa história não deve ser contada e tratada.
Rodrigo e eu fizemos uma sessão aqui em casa, deu até um certo desespero e vergonha de estar vendo aquilo. A música do filme é um porre.
Não há dúvida que Os Sertões serviu de base para o filme. Eu não tenho nenhuma dúvida que o filme é uma adaptação não oficial. E em certos momentos aquele exemplo de adaptação literal era um cacoete dos mais chatos.
Terminamos os dois de ver o filme com um ar de depressão. Rodrigo:
“Fodeu. Como é que tu vê essa nossa versão de Os Sertões, Carlos?”

Expliquei a minha teoria de Cronenberg e acrescentei:

“Vamos invocar Sérgio Leone. A narrativa tem que ser próxima dos filmes de Leone. O Começo tem que ter o mesmo peso de Era Uma Vez no Oeste”.

Alguém aqui já viu esse filme?

Um comentário:

Ethon disse...

Antes de (re)chegar à parte "Ruptura" (das primeiras que li neste blogue, e que portanto me deu primeiramente aquele tom de notícias de um front mais crível e fabulista), ou querer tratar de acontecimentos da década anterior, digamos que aplicar sacadas de quem pensa linguagens, ou mais e melhor, furungar naquilo que dá pistas da viabilidade da coisa almejada, seja uma lição. Watchmen é outro caso de arena para a reflexão de coisas que parece ter sido cooptado pela indústria do oportunismo. Refletindo sobre a possibilidade da adaptação digna desse nome, não pude evitar a lembrança de Sérgio Leone do Era Uma Vez na América, do que rola de relação intrincada e violenta ali, de recursos plásticos em prol da narrativa, a mesma disposição de fazer síntese, poética, colocar algumas idéias em movimento...